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LIBERAÇÃO DIFERENCIAL DE PEPTÍDEOS OPIÁCEOS NO SNC PELA ELETRO ACUPUNTURA DE FREQUÊNCIAS DIFERENTES

Um dos mecanismos mais importantes da analgésica mediada pela eletro acupuntura é a aceleração na liberação de peptídeos opiáceos no sistema nervoso central que interagem com receptores opiáceos na indução de um efeito anti-nociceptivo. O principal achado foi o de que a eletroacupuntura de 2Hz deflagra a liberação de encefalinas e de beta endorfina do cérebro e na medula espinhal, que interagem nos receptores opiáceos alfa e ômega no sistema nervoso central, enquanto que a estimulação de l OOHz seletivamente aumenta a liberação de dinorfina na medula espinhal para interagir com os receptores opiáceos k no corono posterior da medula espinhal (HAN; WANG;1992). Este fenómeno originalmente demonstrado em ratos e coelhos também foi evidenciado em humanos (HAN et ai., 1991). Novos estudos revelam que quando baixas (2Hz) e altas (l OOHz) frequências são utilizadas consecutivamente com duração de 3 segundos, então todos os três tipos de peptídeos opiáceos (encefalinas, endorfïnas e dinorfmas) podem ser liberadas simultaneamente. A interação sinergística entre esses três peptídeos opiáceos endógenos produz um efeito analgésico mais potente (CHEN; HAN, 1992 e CHEN et ai., 1994). Estudos recentes revelam que a estimulação com aparelhos de acupuntura de 2 e 100 Hz utilizam diferentes vias nervosas para mediação do seu efeito analgésico (GUO et ai., 1996 a; 1996 b; HAN; WANG 1992).
TOLERÂNCIA A ELETRO ACUPUNTURA DURANTE ESTIMULAÇÃO
PROLONGADA
A duração ótima da estimulação por eletroacupuntura é de 30 minutos, período de indução necessário para o desenvolvimento pleno da analgésica por acupuntura em humanos. Por outro lado, a estimulação por mais de uma a duas horas pode resultar em uma redução gradual do efeito analgésico. Isto pode ser comparável com o desenvolvimento da tolerância à morfina quando múltiplas injeções são administradas em curtos intervalos de tempo, daí o termo tolerância à acupuntura (HAN et ai., 19981).
Um achado interessante é o de que ratos que se tornaram tolerantes a eletroacupuntura de 2Hz ainda reagem à de 100 Hz, e vice e versa. Isto é compreensível porque a analgésica por 2Hz e 100 Hz são mediados por tipos diferentes de receptores opiáceos. Os do tipo u, e a são ocupados pelas encefalinas e pelas endorfinas nos estímulos de baixa frequência, e receptores Kapa pela dinorfina na eletroacupuntura de alta frequência (CHEN; HAN, 1992). Os mecanismos para o desenvolvimento da tolerância por acupuntura são vários:
1. Nas seções repetidas de eletro acupuntura aceleram a liberação de peptídeos opiáceos que deflagam a auto regulação da expressão gênica dos seus receptores em áreas cerebrais identificadas (WAN et ai.).
3. A liberação de uma grande quantidade de peptídeos opiáceos no SNC induz à liberação de um outro neuro peptídeo, o octapeptídeo colecistoquinina (CCK-8), que antagoniza o efeito dos primeiros (ZHOU et ai., 1993 a, 1993 b). Realmente, o desenvolvimento de tolerância a eletroacupuntura pode ser postergado pela administração central de um antagonista do receptor de CCK denominado L-365260, ou por um anticorpo contra a CCK.
MAUS RESPONDEDORES X BONS RESPONDEDORES PARA ANALGÉSICA POR ACUPUNTURA
Quando um grande grupo de ratos, maior do que 100 recebe uma sessão padronizada de eletro acupuntura, nota-se facilmente uma distribuição bimodal do seu efeito analgésico. Um grupo demostra um aumento na resposta de retirada do rabo em não mais que 50% (maus respondedores) e o outro demonstra o aumento de latência da retirada do rabo de 50% a 150% (bons respondedores). Esse fenómeno é reprodutível, em pelo menos dois dias. Interessante notar que os maus respondedores para a eletroacupuntura também o são para pequenas doses de morfina (3mg/kg) e vice- versa ( TANG et ai., 1997).
Os mecanismos envolvidos podem ser demonstrados de duas maneiras: uma baixa taxa de liberação de peptídeos opiáceos no SCN e uma alta taxa de liberação de CCK- 8 que é um potente anti-opiáceo. Um rato mau respondedor pode se tornar um bom respondedor pela injeção de RNA anti-soro para CCK intra celebrai com o objetivo de bloquear a expressão do gene codificado para CCK (TANG et ai., 1997). Outra maneira é a administração de um antagonista doreceptor de CCK-8 (L365260) ( TANG et ai., 1996). Por outro lado, uma raça de ratos dominados P77 PMN, que são altamente susceptíveis à altura audiogênica, são bons respondedores à analgésica por eletroacupuntura. Estes ratos apresentam altos níveis de beta-endorfina e um baixo nível de CCK no SNC (ZHANG et ai., 1992). Além disso, o balanço dinâmico entre os peptídeos opiáceos e os peptídeos anti-opiáceos no sistema nervos central parece ser o fator mais importante na determinação da efetividade analgésica da eletroacupuntura.
Deve ser enfatizado, entretanto, que a CCK-8 é apenas um dos membros da família dos anti-peptídeos opiáceos. Um novo membro foi recentemente descoberto e é denominado orfanina (OFQ), um peptídeo de 17 aminoácidos. O fato de a OFQ funcionar com um outro mecanismo auto-regulador da analgésica por eletroacupuntura é evidenciado por um achado recente de que o bloqueio na sua expressão gênica pela administração de um RNA anti-soro OFQ produz um aumento dramático na analgésica induzida pela acupuntura (TIAN,XU, GRANDY, HAN< ABSTRAPTI para o 1996 Internacional Narcotic Research Conferencia, 2 a 15 de julho de 1996 Long Beach, USA).
OS MECANISMOS DO EFEITO ANTI-OPIÁCEOS DA CCK-8
Amplas evidências têm sido obtidas para demonstrar que a CCK-8 desempenha um controle de retro-alimentação negativo para a analgésica por opiáceos. A elevação dos níveis de opiáceos que geram a transcrição gênica, a síntese proteica e a liberação do peptídeo CCK, restringindo a analgésica excessiva pelo opiáceo (HAN, 1995a). uma série de estudos foi conduzida para explorar o seu mecanismo de ação molecular (HAN, 1995b:
1. A ligação entre receptores opiáceos e CCK:
CCK-8 demonstrou diminuir o número e a afinidade dos receptores opiáceos, evidenciado pela redução Bmáx e um aumento da Kd no receptor ligante.
2. Há evidências diretas que demonstram a supressão do opiáceo de correntes de cálcio de portões de alta voltagem pode ser revertida pela CCK-8, indicando que a interação opiáceo/CCK ocorre na membrana de um e dos mesmos neurônios (L1U et ai., 1995.,XUetal., 1996).
3. CCK-8 parece induzir o desacoplamento de receptores opiáceos de suas proteínas relevantes G, dessa forma interferindo na transdução dos sinais transmembrana induzido
pelos peptídeos opiáceos (ZHANG et ai, 1993) a ativação pela CCK-8 do sistema de
sinalização do fosfoisositídeo (FI) no sistema nervoso central (ZHANG et ai., 1992), que
aumenta a concentração de cálcio livre intracelular pela mobilização de armazenamentos
de cálcio livre intracelular (WANG et ai., 1992).
TRATAMENTO MÚLTIPLO DE ACUPUNTURA COM O ESPAÇAMENTO APROPRIADO PODE RESULTAR NO SEU EFEITO CUMULATIVO
Alguns autores apontam que o efeito terapêutico produzido por tratamentos múltiplos de acupuntura realizados uma vez por semana é melhor do que uma vez por dia. Em ratos normais, comparou-se o efeito analgésico obtido pela eletro acupuntura realizada uma vez ao dia, uma vez a cada quatro dias, e uma vez a cada sete dias, apresentava a tendência de obtenção de resultados cada vez melhores. Concomitantemente ocorre o numero gradual na concentração de monoaminas na perfüsão espinhal. Já no regime de uma por dia, havia uma redução gradual de efeito analgésico, com o desenvolvimento da
tolerância (Xu et ai.,). Entretanto, em ratos com artrite induzido experimentalmente, o
 tempo ótimo de espaçamento para a obtenção dos melhores resultados terapêuticos é
diferente daqueles observados em ratos normais. Esta constatação depende do modelo
patológico utilizado, merecendo maiores investigações.


Veja também

O USO DA ACUPUNTURA COMO ANALGESIA

BASES NEURO-QUÍMICAS DA ANALGÉSICA POR ACUPUNTURA

 
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