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NEUROFISIOLOGIA DA ACUPUNTURA
A eletro acupuntura ativa o sistema supressor da dor. A estimulação repetida das terminações nervosas nos planos superficiais e profundos do corpo, que integram as vias dolorosas segmentares e supra-segmentares, aliviam a dor. Foi constatado que a estimulação elétrica da substância cinzenta periaquedutal mesencefálica produz analgésica semelhante à acupuntura, isto é, alívio da dor e manutenção das demais formas de sensibilidade.
Vários trabalhos da literatura especializada, demonstram, que a acupuntura alivia a dor aguda ou crónica na maioria dos casos, e que a repetição do procedimento resulta em elevação do índice de resultados satisfatórios.
Como o sucesso terapêutico da acupuntura é maior nos países de oriente em relação aos do ocidente, foi sugerido por alguns autores, que a eficácia deste método terapêutico seria decorrente de influências culturais, efeito placebo, efeito de contra irritação, sugestão ou hipnose.
Entretanto, a hipnose tem um mecanismo de ação que difere da acupuntura em vários aspectos: causa analgésica em pequeno número de casos, e quando isto ocorre, o seu efeito é de curta duração e não anulado por bloqueadores de receptores morfínicos. Enquanto que, a acupuntura é eficiente em grande número de casos, o seu efeito é prolongado e pode ser anulado por bloqueadores de receptores morfínicos. Além disso, apesar das controvérsias, a acupuntura produz elevação do limiar de dor em animais de experimentação, menos sensíveis às influências emocionais do que o ser humano.
Além disso, vários trabalhos explicam que a acupuntura pode bloquear a aferência dolorosa, pelo menos, por dois mecanismos:
1.) inibição da atividade de neurônios transmissores de dor em nível medular, segundo mecanismo de comporta;
2.) Inibição da aferência nociceptiva por meio da ativação de sistemas supressores de dor segmentares e supra-segmentares.
A transição da medula espinhal bloqueia o efeito da acupuntura sobre a dor. Este é mais um elemento para reforçar a participação de estruturas supra-segmentares, provavelmente localizadas no tronco encefálico, no mecanismo de ação da acupuntura.
O impulso necessário para a ação da acupuntura origina-se no ponto de introdução das agulhas, uma vez que o efeito produzido por este método é bloqueado pela anestesia local ou regional. A estimulação das fibras do tipo II, que veiculam a sensibilidade proprioceptiva em nervos periféricos, parece ser necessária para que o índice de sucesso da acupuntura seja elevado. Estas fibras são discriminativas e podem interferir nos sistemas supressores de dor. Razão pela qual aplicando-se a acupuntura durante um tempo maior, obtém-se analgésica mais intensa e prolonga-se a duração dos seus efeitos, que não cessam com a interrupção do estímulo. Esta observação reforça a possibilidade da participação de neuro-transmissores no seu mecanismo de ação. Além disso, foi relatada a redução da atividade neuronal de núcleos talâmicos mediais e de núcleos do tronco encefálico e lentidão do traçado eletroencefalográfico durante sessões de acupuntura.
Experiências em modelos animais demonstraram que o líquido cefalorraquidiano (LCR) de animais tratados por acupuntura causa analgésica em animais não tratados pela acupuntura. Estudos com circulação cruzada demostram elevação do limiar de dor de animais tratados e não tratados pela acupuntura. Estes fatos sugerem que um fato humoral deva estar envolvido na analgésica produzida pela acupuntura.
A esse respeito, foi verificado que a administração de um bloqueador de receptores morfínicos (naloxona), anula o efeito da acupuntura, este fato indica a participação das vias endorfinonérgicas no fenómeno. Possibilidade confirmada quando se demonstrou que havia aumento da concentração de endorfinas no líquido cefalorraquidiano de doentes que se submeteram à acupuntura, foi reforçada ao se verificar que em animais com deficiência genética de receptores opióides, ou de endorfinas, a aplicação de acupuntura não produz analgésica.
As vias serotoninérgicas também estão envolvidas na génese da analgésica induzida pela acupuntura, pois se constatou o aumento da concentração de serotonina no LCR e nas estruturas neuronais do tronco encefálico inferior após aplicação de acupuntura. Foi também a demonstrado que os bloqueadores serotoninéricos anulam a ação da acupuntura.
Em resumo, atualmente, admite-se que estímulos com intensidades e frequências diferentes são capazes de promover analgésica com características diferentes. Foi observado que a estimulação de alta intensidade e baixa frequência, similar àquela proporcionada pela acupuntura, é capaz de promover analgésica de longa duração, com efeitos cumulativos e reversíveis através da administração da naloxona, antagonista morfínico. Através deste tipo de estímulo, o eixo hipotálamo-hipofisário atuaria na liberação de beta-endorfina.
Estímulos com elevada frequência também elevam a concentração de serotonina e de seus metabólicos no LCR. Porém, a analgésica observada quando estímulos de alta frequência são utilizados é de curta duração e não reversível através da administração da naloxona.
Um dos aspectos mais intrigantes sobre os mecanismos de ação da acupuntura é a existência dos numerosos pontos descritos para introdução de agulhas (pontos localizados nos meridianos), às vezes situado em segmentos do corpo distantes do local da dor. Muitos dos pontos meridionais de acupuntura coincidem com os dermatômeros onde a dor está sediada, localizando-se em regiões ricamente inervadas e onde há grande concentração de ponto-gatilho. Cerca de 71% e 80% dos pontos de acupuntura correspondem aos pontos-gatilho, ou a pontos motores dos músculos esqueléticos.
Nakatami demonstrou que os pontos de acupuntura correspondem a regiões do tegumento cuja resistência elétrica é baixa. Achados confirmados posteriormente por outros autores. Por outro lado, alguns autores, não acharam diferenças estatisticamente significantes entre os resultados obtidos aplicando os estímulos de acupuntura nos pontos meridionais e em pontos aleatórios da superfície do corpo. No entanto, outros autores discordam desses achados.
Apesar da controvérsia, recomenda-se que a estimulação seja realizada em pontos localizados nos dermatômeros onde a dor se localiza ou em pontos onde a resistência elétrica da pele está reduzida, e não necessariamente nos pontos clássicos dos meridianos orientais.
A melhora da dor, quando da aplicação de estímulos da acupuntura em pontos distantes dos dermatômeros referidos, é explicada pela dispersão e convergência das informações nociceptivas no sistema nervoso central e pelo mecanismo de influências recíprocas, que ocorre entre os centros medulares da nocicepção. Assim, nos núcleos da formação reticular do tronco encefálico, as células apresentam amplos campos receptivos (50), propiciando a convergência de informações de várias propiciando a convergência de informações de várias origens em único corpo celular. Portanto, a estimulação elétrica é capaz de produzir analgésica em amplos territórios do organismo. Nestas eventualidades, é possível que os estímulos da acupuntura atuem sobre células de certas regiões da formação reticular do tronco encefálico e bloqueiem a sensibilidade dolorosa de grandes áreas do organismo e não necessariamente naquelas áreas onde a estimulação foi realizada.
A acupuntura parece reduzir o tônus neurovegetativo simpático, resultando em melhora da perfusão periférica local e geral em seres humanos. Ensaios clínicos, através de estudos termográficos, demonstraram que doentes portadores de dor crónica apresentam menores gradientes de temperatura corpórea nas áreas afetadas, quando comparadas aos segmentos corporâneos correspondentes normais. Desta forma, a aplicação de estímulos de acupuntura em pontos distantes de área afetada, não somente promove o alívio da dor, com também o aumento da temperatura.
Pesquisas científicas recentes sobre a exceção de proto-oncogenes, com a proteína fos-celular (c-fos), presente no núcleo de muitas células, revelam que estas possam ser utilizadas para mapear e analisar os circuitos neuronais na medula espinal e em várias regiões cerebrais ativadas por estímulos fisiológicos e farmacológicos. Determinadas estruturas neuronais são ativadas na presença de estímulos de baixa ou alta frequência. A imunorreatividade c-fos pode ser detectada em neurônios cerca de 20 a 90 minutos após a excitação neuronal e a sua expressão desaparecem alguma hora após a cessação do estímulo. Estudos em animais de experimentação comprovaram que a expressão proteína c-fos no corpo posterior de medula espinal, provocada por estímulo nocivo, é suprimida por acupuntura de alta ou baixa frequência. Estudos uterinos demonstraram o mapeamento da distribuição dos núcleos da medula espinal e do tronco cerebral, que participam de génese da analgésica pela acupuntura, dependendo do tipo de estímulo utilizado.
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